quinta-feira, 5 de março de 2009

Do pote de açúcar para galerias de arte.

Fazendo um molho de vinho tinto para uma sobremesa de maça assada, errei na mão do açúcar e no tempo de cocção, deixando o molho virar uma calda de açúcar, um caramelo, não sei como chamar exatamente. Observando aquele resultado, fiquei encantado quanto à textura, a cor, o brilho, logo, curioso quanto às coisas que poderia fazer com aquilo. Com isso, resolvi chamar pelo poderoso Google e estudar um pouco sobre esse assunto.

Simplesmente achei coisas impressionantes. Exatamente o que poderia ser a divisa da gastronomia com as artes plásticas. Descobri que o caramelo pode originar tanto ótimas receitas quanto fantásticas obras de arte!

Descobri também que o trabalho com açúcar é uma arte muito respeitada na França.Existem exposições com mais de 1000 trabalhos com açúcar, desde laços de fita até castelos, pessoas, jóias, etc.O maior concurso que encontrei sobre o assunto é o M.O.F. (Meilleur Ouvrier de France - Melhor artesão da França), que dá o direito ao Chef de usar as cores da bandeira francesa na gola da sua dólmã, tornando-se reconhecidíssimo pelo feito.

Existem cursos sobre essa arte com a calda de açúcar, mas nada melhor do que aprender sozinho, não é? Pelo menos sempre achei que minhas experiências na cozinha me ajudaram muito mais do que quando alguém parou para me ensinar alguma receita ou técnica... Por isso, aqui está um site que poderá ajudar muito com isso. Ele dá várias dicas necessárias para atingir o ponto certo da calda e a forma que ela irá poder tomar conforme a temperatura que foi usada para fazê-la:


http://batuquenacozinha.oi.com.br/abcozinha.php?abc_id=77

Deixo aqui também um vídeo com esculturas fascinantes, as quais nem dá para acreditar que sua matéria prima é simplesmente açúcar! Se ficarem interessados, procurem mais vídeos nos vídeos relacionados a esse no You Tube. Vão achar muita coisa boa, e principalmente, lindas obras de arte!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Para tentar amenizar o verão...

A pedido da minha tia, rsrs, uma receita então. E já que o verão no Rio está aquele de desidratar se ficar parado na sombra, uma receita que fiz semana passada e que virá bem a calhar com o clima: Granita de Morango.

A Granita talvez seja o “sorvete” mais antigo do mundo. Pode até não ser o mais antigo, mas foi a inspiração que os italianos precisavam para criar diversos outros tipos de sorvetes, inicialmente, tendo frutas como sua base.

Ocorre que, quando os árabes desembarcaram na Sicília, trazendo em suas embarcações café, amêndoas, açúcar de cana, frutas cítricas, portavam também um tipo de sorvete feito com suco de limão ou da infusão do café, o qual foi nomeado pelos italianos de "Granita".

Eis como fazê-la numa versão bem simples:



Granita de Morango

- 1 ½ xícara de água quente
- 2 xícaras de morangos maduros picados
- 2 colheres de sumo de limão
- açúcar a gosto

Bata os ingredientes no liquidificador até originar um suco vermelho vivo e homogêneo. Transfira para um recipiente como uma assadeira ou uma forma certificando-se que não deixará a altura passar de 1 cm. Lógico que você não precisa usar a régua!, rs, mas não deixe ficar muito alto. Cubra com um filme plástico e deixe por cerca de 2, 3 h no congelador.

Retire o recipiente, raspe com um garfo até formar uma pasta lisa, levando o recipiente novamente ao congelador por 1 h e 30 min. Depois de congelado, raspe novamente com um garfo, podendo servir logo ou repetir o procedimento para obter mais cristais de gelo.

Sirva porções individuais em uma taça ou em um copo de drinks, decorando com folhar de hortelã.

Dicas:

- Não necessariamente use a hortelã somente para decorar. Adicionando algumas folhas de hortelã à mistura você notará um ótimo frescor na sobremesa. Um pouco de gengibre também ajudaria nisso.

- Inove: Use frutas do seu gosto para repetir a receita. Lembre-se sempre que você pode fazer as suas próprias versões de uma receita para agradar o quanto mais puder ao seu paladar.

- Experimente trocar o sumo de limão por o sumo de alguma outra fruta ou até mesmo por bebidas alcoólicas. Recomendo Cointreau.

- Esta sobremesa fica bem acompanhada com morangos, frutas frescas e principalmente com morangos flambados, devido à temperatura que cada um apresenta. Na montagem, disponha sempre a granita por cima.


A princípio pode parecer uma receita complexa, mas o único trabalho que você terá será de fazer um suco e raspá-lo quando congelado! É também uma receita que só demora pelo tempo do congelamento do suco, pois fora isso, qualquer um pode fazê-la.

É importante lembrar que enquanto você deixa uma Granita congelando, você poderá deixar outra de outro sabor congelando junto.

Experimentem essa e comentem o que acharam. Como já disse, inovem, também, e me digam o resultado das suas criações.

segunda-feira, 2 de março de 2009

A moda dos Chefs - Dólmã ou Gambuza?

A princípio, a idéia dessa postagem é boa, mas depois, pode até parecer chata, porém, é algo que ninguém nunca pergunta com uma resposta bem esclarecedora.

Como estou para ingressar num curso de Chef Executivo de Cozinha, comecei a procurar pelos materiais que vou precisar para me manter nesse. A primeira coisa que me veio em mente foi o que eu mais venho sonhando em usar, a jaqueta (à esquerda), tradicionalmente branca com inúmeros botões, que todo bom Chef usa. Mas, e o nome disso? Qual é? E por que usar a jaqueta? De onde veio esse costume? Então recorri ao bendito e maravilhoso Google, que para ser perfeito só falta nos dar banho e comida pronta, procurar pelo raio da jaqueta. Dólmã e Gambuza, foram os nomes que me apareceram.

Dólmã e Gambuza... Nomes estranhos... E qual é o certo? Serão os dois? Vamos apelar para o dicionário. Pelo menos um ele resolveu:

Dólmã: 1. Sobreveste de origem turca, abotoada de cima a baixo, cintada e com abas soltas que chegavam aos joelhos (Foi peça característica de muitos uniformes dos hussardos, à direita.). 2. Mais recentemente, casaco de gola levantada, ajustado à cintura, abotoado de cima a baixo, com ou sem alamares, us. esp. por militares; 3. Derivação: por extensão de sentido; Qualquer modelo de roupa masculina ou feminina inspirado no Dólmã militar.

Não satisfeito com essa definição e querendo entender o que tem a ver a vestimenta da antiga cavalaria sérvia com a cozinha, voltei ao Google. A palavra vem do turco dolaman, que significa robe. E quem deu início ao uso de uniforme dentro da cozinha (dólmã branca e o chapéu de Chef) foi Antoine Carême, cozinheiro francês do século XVIII e XIX, se baseando no antigo dólmã dos turcos e sérvios. Inclusive, fugindo um pouco do assunto, se é interessado na história da gastronomia, pesquise sobre Antoine. Foi considerado o primeiro Chef Celebridade do mundo. Prometo depois uma postagem somente sobre ele.

Já falando de Gambuza, o dicionário não me resolveu não. Então de volta ao Google, pela 3ª vez, 7 páginas de sites onde a palavra Gambuza foi encontrada. Com muita paciência, olhei quase tudo e nenhuma especificação certa, porém, em um site de decoração descobri que é a área de uma cozinha onde se preparam as sobremesas e as entradas dos restaurantes comerciais e dos hotéis. Na linguagem náutica, Gambuza seria a dispensa de um navio mercante; onde se guardam os alimentos. Então que raios isso tem a ver com a jaqueta de chef?

Bem, Dólmã é menos difícil de decorar... Além disso, tem uma explicação lógica para a aplicação do nome no objeto. Usarei esse até que alguém me explique o motivo de Gambuza. Para piorar, ainda é um nome feio! Quando se fala Gambuza penso num patuá de ritual mágico dos aborígenes australianos (esquerda), sei lá. Não me identifiquei.